O conselheiro gremista e integrante do MGI Marcelo Aiquel concedeu entrevista ao blog Sempre Imortal. No espaço, falou sobre sua trajetória e sobre projetos para o Grêmio. Para conferir a versão original, basta clicar aqui. A entrevista também está reproduzida abaixo.
Palavra de Gremista: Marcelo Aiquel
Retornando ao tópico de entrevistas com personalidades tricolores, os moderadores do Blog GRÊMIO SEMPRE IMORTAL apresentam a trigésima edição do PALAVRA DE GREMISTA. Desta feita, o nosso entrevistado é o nosso comentarista e colaborador e integrante do Conselho Deliberativo gremista MARCELO AIQUEL.
Conhecido pela forte defesa de suas idéias e, principalmente, pelos interesses do Grêmio, Marcelo Aiquel fala para o GRÊMIO SEMPRE IMORTAL fatos interessantes.
Uma boa leitura a todos.
- Gremista desde quando?
Desde a infância (8 anos, por aí). E o que me fez gremista é uma história curiosa. Nascido em uma família colorada (meu pai, meus tios e avós eram todos simpatizantes do “colorado”, como se dizia à época), comecei a jogar bola na rua e gostava de ser goleiro. Então pedi uma camisa de presente e escolhi a mais vistosa (lá na Casa Cauduro, na Praça XV), uma amarela que era a utilizada pelo Germinaro, o argentino que jogava no gol do Grêmio naquele tempo. A camisa veio com o símbolo do time no peito e me tornei gremista, sem nunca antes ter sido colorado, apesar da família. Em setembro de 1963, depois de ir a alguns jogos na geral, me associei ao clube. Tinha 11 anos incompletos, ou seja, há “apenas” 47 anos. Um dado que me honra: depois de mim, nunca mais tivemos um colorado sequer na família toda.
- O senhor integra o Conselho Deliberativo tricolor desde que ano?
Ingressei na última eleição (2007). É o meu primeiro mandato e espero estar representando bem aos associados que confiaram em mim.
- Já exerceu alguma função no Clube?
Já, na gestão do Dr. Hélio Dourado. Trabalhei no Jurídico e fiz parte daquele time extraordinário que era formado pelo Raul Régis, Cacalo, A. C. Maineri, Milton Camargo, o saudoso João Luiz Bergmann, e o Cláudio Rosa, todos com uma longa história de serviços prestados ao clube.
- Qual a sua opinião quanto a profissionalização do Clube? Ainda existe espaço para o trabalho gratuito do torcedor/associado?
A profissionalização do clube é uma necessidade nos dias de hoje. O Grêmio tem que ser tratado como uma grande empresa e somente com um trabalho profissional, desempenhado por profissionais contratados, poderá desenvolver seus projetos. Não há mais espaço para o abnegado que divide suas tarefas particulares com o tempo que empresta ao clube, no que chamamos de dedicação não exclusiva, tipo “amor à camiseta”. Hoje, o Conselho de Administração eleito (Presidente e vices) deve delegar a profissionais contratados as áreas financeira, administrativa, de marketing, patrimônio, e até o futebol. E exigir resultados ou então dispensar este gerente/diretor, substituindo-o por outro. É evidente que o trabalho gratuito do associado sempre terá espaço, mas dentro de um projeto profissional, onde este colaborador se enquadre na política traçada e esteja subordinado ao responsável por cada área. Se não fizermos isso, e em breve, teremos os mesmos problemas que vem se acumulando há tempos, no Grêmio. Todos aqueles clubes que já deram início a este processo de modernização e profissionalização, estão colhendo os resultados.
- O senhor é conhecido por ter sido o criador do site SOS GRÊMIO. Poderia explicar para os nossos leitores do que tratava aquele movimento e quanto tempo o mesmo permaneceu ativo?
Juntamente com alguns amigos gremistas, criamos o Movimento SOS Grêmio nos primeiros meses da gestão do Flávio Obino (em 2003), ao vislumbrarmos o futuro negro que se anunciava. O SOS era um grito de alerta para o torcedor e para a própria direção, que, ao invés de escutá-lo, começou a nos boicotar de maneira vil, mesquinha mesmo. E o que muita gente não sabe é que, antes de nos lançarmos de corpo e alma na campanha contra o Reino da Obinolândia (como batizamos a funesta gestão) tentamos colaborar apresentado inclusive um projeto para ajudar a recuperar as finanças do clube. Projeto este que foi idealizado sem nenhum interesse político, mas que foi jogado (literalmente) no lixo antes mesmo de ser lido. E tenho provas do que afirmo. Sem contar as ameaças (apócrifas, por óbvio) que recebi, na condição de líder do movimento. Com a reconquista da dignidade e do respeito, o que ocorreu em 2005/2006, não havia mais porque o SOS continuar a existir, eis que tinha como objetivo exatamente isso.
- Como foi a sua entrada no Movimento Grêmio Independente?
Desde antes de encerrar o SOS, nós (eu e meus parceiros) vínhamos sendo convidados a participar de grupos políticos do clube. E o perfil do MGI me atraiu com mais força do que outros ótimos movimentos existentes, todos repletos de amigos que respeito e considero. O MGI representava movimento jovem, com um discurso coerente, formado por gremistas cujo ideal era fazer do Grêmio um clube diferenciado, vencedor e, especialmente, profissionalizado na sua gestão. Por isso me alistei no grupo onde fui muito bem recebido.
- Na sua opinião o que impede hoje a mesa do Conselho Deliberativo aplicar o art. 66, § 1° do Estatuto Social, que determina a perda do mandato em caso de repetidas ausências não justificadas?
Esta discussão já transbordou do âmbito do Conselho, sendo um pleito de milhares de gremistas que não entendem a razão de tal protecionismo. Eu, particularmente, sou contra este corporativismo absurdo, e já tive oportunidade de declarar isso lá no próprio Conselho. Este problema é antigo e está diretamente ligado ao tempo em que o Grêmio era dominado por feudos, liderados por pessoas que se achavam “donos” do clube. Não é fácil enfrentar e combater algo que tradicionalmente sempre foi acobertado por estes caciques. Mas, mesmo parecendo antipático, não vou descansar enquanto não acabar com tais regalias. Aliás, não só estas, mas com outras que – inexplicavelmente – são tratadas como matéria proibida lá dentro, sempre que arguidas. Resumindo: na minha visão, o Conselheiro tem a obrigação de representar o associado que o elegeu e não esquecer-se deste depois. E deveria trabalhar mais pelo clube, como alguns efetivamente fazem. Mas, se nem nas reuniões comparecem, qual a razão destes reiterados faltosos permanecerem Conselheiros? Apenas pelo prestígio do cargo?
- Estamos nos aproximando de 3 importantes processos eleitorais para o Grêmio em 2010. O senhor considera possível que o atual bloco de oposição (Grêmio Independente/Grêmio Sem Fronteiras/Grêmio Novo) permaneça unido ou poderemos ter novas composições visando o engrandecimento do Grêmio?
Ainda faltam sete longos meses até a primeira das 3 eleições deste ano e muita água ainda vai rolar embaixo da ponte. É natural que com a aproximação do processo eleitoral, as conversas evoluam como costuma acontecer. Portanto, seria prematuro opinar neste momento. Porém, como não gosto de fugir das respostas, creio que o quadro político está se definindo desde o último pleito e deveremos ter, em setembro/outubro, um debate entre o continuísmo e a renovação. O associado saberá enxergar nas propostas e, principalmente nas promessas de cada chapa, quem oferece realmente um projeto de futuro, sem estar apegado ao ranço político. O próprio comportamento pós-eleição é um indicativo de quem é coerente com o seu discurso. E o sócio está vendo isso.
- Qual a sua avaliação do atual grupo de atletas tricolores e as nossas chances nos diversos campeonatos que estaremos envolvidos ao longo do ano de 2010?
Creio que o plantel deste ano é o melhor tecnicamente que temos, desde 2006. Há, certamente, alguns equívocos pontuais, mas o grupo me parece capaz de conseguir sucesso. Tudo vai depender, é óbvio, do trabalho desenvolvido pelo treinador, ainda em fase de adaptação, mas com repetidos erros que já deveriam ter sido corrigidos e preocupam.
- Qual o jogo do Grêmio que mais lhe marcou?
Difícil escolher só um, mas a vitória contra o Peñarol em 83, na final da Libertadores, teve um sabor único (maior até que o do Grenal da decisão de 1977, com aquele gol do André Catimba). Pelo lado negativo, a grande decepção ocorreu um ano após, na outra decisão da Libertadores (84), quando perdemos o título em casa, para o Independiente. Fatores extra-campo tiraram o foco do time e perdemos o BI.
- Qual o melhor time do Grêmio que já viu jogar?
Com respeito aos mais novos, mas a máquina dos anos 60 era demais: Alberto (Arlindo), Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir (Vieira).
- Qual seria o time do Grêmio de todos os tempos?
Vou me atrever a escalar somente onze titulares com seis reservas, e certamente cometerei injustiças: Danrlei, Eurico, Ancheta, De Leon e Everaldo; Dinho, Tadeu Ricci e Valdo; Renato Portaluppi, Baltazar e Eder. Banco: Mazaroppi, Airton, Oberdã, Paulo Cesar Caju, Alcindo e Jardel.
- Defina o Grêmio em uma palavra.
Paixão
- Alguma manifestação final.
Agradeço a oportunidade e felicito os moderadores do blog pelo trabalho que vem fazendo para divulgar as coisas do nosso Grêmio, trazendo o torcedor diretamente para o debate de assuntos de interesse de toda a nação tricolor. Espero que em breve possamos estar todos unidos, sem rancores e mágoas, para construirmos o GRÊMIO SÉCULO 21 – PROFISSIONAL E VENCEDOR.